2 de setembro, 2009

Os CEOs deveriam ser como os grandes maestros: brilhantes ao reger sua orquestra

Semana passada encontrei um conhecido, alto executivo de multinacional do ramo varejista. Nos pouco mais de 15 minutos que conversamos, o tom de sua conversa (que acabou monopolizada por ele) era um só, falta de motivação.  Nitidamente, mostrava-se sem ânimo para ir ao trabalho, reclamava de tudo, sobretudo diante de mais e mais pressão que passou a ter de seus chefes nos últimos meses, após a crise.

No caminho de volta para meu escritório, minha cabeça fervilhava. Será possível que esse clima de insatisfação continuará afetando quase todos com quem falo? É impressionante a forma como a maioria das pessoas sente-se oprimida, sem saída.  Ninguém está satisfeito com seu emprego, com a sua vida profissional, com a carreira.

Prova disso é que um estudo feito recentemente por uma das maiores empresas de hunting, a Korn/Ferry, revela que 47% dos executivos entrevistados em 70 países não estão felizes com seus cargos atuais.  No Brasil, a história não é diferente; 42% também se mostraram pouco satisfeitos. Entre as razões apontadas para essa falta de motivação, a falta de confiança em seus superiores é a causa número um.

O mais curioso, em minha opinião, é que um número significativo (31%) declarou não confiar na maneira como seus chefes diretos conduzem os negócios. Será esse o motivo de meu conhecido estar tão insatisfeito hoje, justamente ele que sempre foi um dos mais engajados na empresa? Talento e vontade de vencer, superar obstáculos e, sobretudo, de se superar, sempre o pautaram na vida corporativa.

Quando vejo esses dados, vejo que não estou errado. Muitos CEOs vêm deixando de lado o papel que todos esperam deles. Esquecem o quanto é fundamental motivar suas equipes, identificar e reconhecer o talento. Como dizia Night, famoso economista inglês, “o importante não é saber fazer; é saber escolher quem é mais capaz de fazer”.

Não é à toa que a pesquisa refletiu a preocupação dos executivos com seu próprio desenvolvimento profissional. Os resultados apontam que lá fora 56% dos executivos têm aspirações de se tornarem CEOs - percentual seguido de perto pelos executivos brasileiros: 57% também desejam alcançar a posição.

Agora faço uma pergunta: será que os líderes sabem realmente atuar como verdadeiros maestros e assim afinarem sua orquestra? A triste decepção é perceber que muitos sequer estão aí para suas equipes. É cada uma por si. Lamentável.

Categorias: [ Pessoas & Carreiras ]

10 Comentários

  1. Andrea Giardino - 2 de setembro de 2009 @ 12:43 pm

    Realmente é um desafio para os líderes identificar talentos e reconhecer suas potencialidades. Mais complexo é entender os objetivos e aspirações de quem está abaixo. Mas, certamente, aqueles que o fazem com maestria contam com fortes aliados na conquista dos resultados. Muito boas suas colocações Julio.
    Andrea

  2. Sergio Antonio Meneghetti - 2 de setembro de 2009 @ 1:01 pm

    Júlio, acredito na minha humilde opinião que seria a somatória de situações, uma delas naturalmente é a proteção da posição, o isolamento o resguarda e aí começa o erro, pois, isolamento é igual ao egoismo, e sem união tudo se torna mais frágil e tira a motivação dos demais envolvidos. Por outro ponto de vista acredito no peso da função, e nem sempre estes estão preparados para tal empreitada, neste caso o mais sábio é pedir apoio para aqueles que tem experiência e que não estão envolvidos na situação, a consultoria é uma grande opção.

    (para o segundo caso)
    Fala Fácil

    Criticar uma gestão é só liberar a fala
    É tratar o assunto como se fossem banalidades
    O sábio é aquele que entende e se cala
    Pois sabe que cada um tem as suas dificuldades.

    Sergio Antonio Meneghetti 01/09/2009
    um forte abraço.
    Sergio

  3. Julio Sergio Cardozo - 2 de setembro de 2009 @ 2:28 pm

    Andrea, o problema é que maestros estão em falta e as orquestras estão carentes!

  4. Julio Sergio - 2 de setembro de 2009 @ 7:52 pm

    Sergio, falta humilde no mundo corporativo, sobretudo no topo. Brevemente escreverei sobre a falibilidade do líder e a sua dificuldade em reconhecer seus erros. Quem não reconhece erros não aprende com eles e, assim, volta a errar.

  5. Gleice Sanches - 3 de setembro de 2009 @ 9:35 am

    Julio, acredito que um fator que contribui fortemente para essa carência de maestria nos gestores atuais seja a falta de percepção de muitas organizações para a importância do bom relacionamento de seu público interno.

  6. Julio Sergio - 4 de setembro de 2009 @ 8:58 am

    Gleice, relacionamento é chave para qualquer posto hierárquico. Pesquisas indicam que os líderes que melhor sabem se relacionar com pares e subordinados conseguem resultados positivos para as suas corporações em níveis muito mais altos do que outros que se relacionam mal. Faz parte, todavia, da idiossincrasia do ser humano. Os chefes com quem você já trabalhou se preocupavam com a forma de relacionamento?

  7. Luis Roberto Mulla - 8 de setembro de 2009 @ 1:41 pm

    Estamos vivendo nos últimos 5 anos uma avalanche de alterações na maneira com que as organizações tem que lidar com o ambiente interno e externo. A fase do faça mais, por menos e em menos tempo ficou quase insustentável e minha opinião é que isso tenha causado um aumento significativo no abismo que existe entre apenas “acompanhar e tocar em frente uma equipe” e liderar de fato.
    Até que seja repensada a forma de atingir e cobrar os resultados os maestros de hoje em dia, tem que driblar a falta de tempo e espaço para criar grandes orquestas e se contentar com bandas de coreto.

  8. Ronald Dettmann Alves - 9 de março de 2010 @ 10:08 am

    Julio tudo bem?

    Parabéns pelo site.

    Entendo que falta humanização.

    Quando o funcionário é sensibilizado e entende que o “chefe” é um ser passível de erros e que mesmo que acabe errando se esforça em tomar as melhores decisões, ele tende a aceitar melhor a divergência de opiniões com a liderança.

    Acho interessante o modelo de trabalho nos EUA em que as pessoas possuem 2 ou 3 empregos.

    Assim se a pessoa estiver desmotivada e achar que não tem mais futuro naquela empresa, pode sair sem perder toda sua renda e não ficar empatando no “chove-não-molha” que acontece quando a pessoa depende do “EMPREGO” para sobreviver.

    Sucesso.

    Ronald

  9. Fabiano - 10 de março de 2010 @ 11:30 am

    Um tremendo profissional mas, desmotivado, é triste esse tipo de coisa.
    Procura-se um candidato que tenha em seu perfil espírito de equipe que lidere sua Orquestra.
    O que se pede no mercado é maravilhoso, tem um status enaltecedor.
    Mas qual a verdadeira intenção da existência da Orquestra em sua vida, ou seja, vamos estimular a equipe a superar para que o fulano ganhe mais, o empresário idém, acrescentando que se não atingir troco a equipe toda e se alguém sair de férias ou sair várias vezes no horário tá fora, ele é descompromissado com o trabalho.
    Uau, que sociedade maravilhosa em que vivemos kkkkkk.
    Creio que são diversos ítens que geram insegurança aos profissionais, porque simplismente pensam em si apenas e fantasiosamente o tal espírito de equipe. Coisa rara e concordo, é lamentável.
    Para afinar creio que é preciso acreditar na política da empresa e seus produtos, se não forem claros, transparentes o mesmo será a equipe e seus colaboradores.
    Vendemos aquilo que vemos na empresa do alto para baixo.
    O presidente não se margea pelo faxineiro não é, e sim ao contrário.
    Somos o que o presidente é na empresa!
    Se sua empresa vendo algo que dá defeito e não repara corretamente, ou comercializa produtos de segunda ou mesmo com baixa qualidade, como o profissional agirá as vezes inconscientemente na empresa. Tudo se torna ciclico.
    Deve haver respeito de cima para baixo, se o líder tem que servir então temos muito a crescer ainda.
    No cenário atual das organizações a realidade é que os indivíduos com certeza pensam somente em sim mesmos, pelo menos na na maioria dos casos, afinal todos estamos tão descartáveis que o espírito se foi, ficou somente a equipe.
    O que é mais importante para as pessoas, o cargo, o salário, o poder o status, ou sua realização pessoal?
    Querem ser pra que?
    Querem ter porque?
    Querem alcançar para quem?
    Qual o custo nos relacionamentos, em suas vidas, em sua saúde?
    Somos responsáveis por um mundo corporativista débil, as exigências e cobranças metas de mais e mais não para a cada dia, a tensão da perda do emprego, até o cumulo de se tirar férias talvez perca o emprego, que sociedade é essa, não é crítica mas, o RH no teor da palavra o que faz efetivamente pelo colaborador, o que o empresário não aceita, será que é o respeito o será que a produção deve ser a qualquer custo e se ele não cumprir troca?
    O que evoluimos de Ford para cá então?
    Grandes empresas pregam lá nas paredes e na mídia sobre sustentablidade, nossa aonde, são raras as empresas e profissionais que interiorizam isso, na maioria fazem porque é fachada é promocional, talvez de pra contar nos dedos.
    A sociedade vive momentos de insanidade contemporânea, excesso de metas, estudos, diplomas, conhecimentos sem fim, uma enorme multidão desiludida, estressada, fazendo o que não gosta mas temos que seguir o consumismo e uma coisa puxa a outra e os recursos naturais até logo.
    Mas se todos correm atrás dos seus sonhos o que aconteceu então, não estavam no caminho certo, foram descartados, cadê a empresa para quem ele vestiu a camisa e deu a vida?
    Li um pequeno tópico do Roberto Shinyashiki que dizia para seguirmos nossos sonhos de infância, e é engraçado nunca vi uma criança dizendo pai quero ser predisente de uma montadora? Talvez até exista, quem sabe uma criança alemã mas é incomum.
    Creio que devemos projetar as etapas da vida e saber o que conquistar e quando mudar o rumo do navio e principalmente aceitar que devemos mudar para não sofrermos posteriormente, afinal os psicologos estão todos com agendas lotada.
    Creia que a mudança é certa, devemos estar preparados pós carreira corporativa para a realização pessaol.
    Chegaremos aos 50,60,70,80 em qual estado em nossas vida como um todo?
    Carecas ou de cabelos brancos, estressados, investidores em consultorios psicologicos, divorciados, em carreira solo pois fomos descartados, algumas pontes de safena, colesterol algo, procurando nossos verdadeiros sonhos, pagando aquele convênio caro e se assim conseguirmos talvez uma casa de campo ou praia para morrermos em paz.
    Todos falam em comprometimento, equipe, liderança, essa é a moda, o tal FOCO, virou praxe no mercado, FOCO, só falam isso, até minha filha de 9 anos disse FOCO, nossa!
    O tal FOCO imposto sob pressão ou aplicado fora da realidade do individuo não funciona corretamente, se funciona-se não lamentariamos a falta de requisitos que o individuo perdeu, alias não perdeu apenas ele manteve a aparência para poder estar empregado.
    Tem que haver a identificação do profissional com missão da empresa e objetivos claros e transparentes da organização, sermos honestos do topo a base, afinal nós fazemos a empresa e aí sim a Orquestra produzirá seu espetáculo.
    Acredite em que e no que você trabalha.

  10. ANA ISABEL BASTOS - 5 de junho de 2010 @ 3:22 pm

    Entendo que vivemos um momento dramático nas Organizações,que nada mais são do que o retrato do Planeta, com pessoas correndo,adoecendo, se degladiando, buscando dar conta do trabalho, vida pessoal?? …
    Creio que nunca vimos tantos casos de transtornos emocionais, principalmente dentro das grandes empresas. Pessoas adoecidas, prisioneiras, sem sonhos pessoais.. aliás onde estão nossos sonhos?
    Ser líder é uma missão tão árdua e responsável quanto ao papel de pai e mãe. Poucos têm esta possibilidade, ou este perfil (estimulador, incentivador,parceiro, que saiba delegar,cobrar,exigir,orientar.Cúmplice!
    Cada vez mais o “perfil” exigido é ser um potencial horwaholic e outras pérolas…
    Líder tem que ser exemplo!! São as atitudes que mudam tudo no ecossistema.
    Fabianos …. acreditem nos

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Prof. Livre-docente Julio Sergio Cardozo

Consultor em gestão de negócios, conferencista, autor de livros e artigos e professor livre-docente em controladoria e finanças.

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