Semana passada encontrei um conhecido, alto executivo de multinacional do ramo varejista. Nos pouco mais de 15 minutos que conversamos, o tom de sua conversa (que acabou monopolizada por ele) era um só, falta de motivação. Nitidamente, mostrava-se sem ânimo para ir ao trabalho, reclamava de tudo, sobretudo diante de mais e mais pressão que passou a ter de seus chefes nos últimos meses, após a crise.
No caminho de volta para meu escritório, minha cabeça fervilhava. Será possível que esse clima de insatisfação continuará afetando quase todos com quem falo? É impressionante a forma como a maioria das pessoas sente-se oprimida, sem saída. Ninguém está satisfeito com seu emprego, com a sua vida profissional, com a carreira.
Prova disso é que um estudo feito recentemente por uma das maiores empresas de hunting, a Korn/Ferry, revela que 47% dos executivos entrevistados em 70 países não estão felizes com seus cargos atuais. No Brasil, a história não é diferente; 42% também se mostraram pouco satisfeitos. Entre as razões apontadas para essa falta de motivação, a falta de confiança em seus superiores é a causa número um.
O mais curioso, em minha opinião, é que um número significativo (31%) declarou não confiar na maneira como seus chefes diretos conduzem os negócios. Será esse o motivo de meu conhecido estar tão insatisfeito hoje, justamente ele que sempre foi um dos mais engajados na empresa? Talento e vontade de vencer, superar obstáculos e, sobretudo, de se superar, sempre o pautaram na vida corporativa.
Quando vejo esses dados, vejo que não estou errado. Muitos CEOs vêm deixando de lado o papel que todos esperam deles. Esquecem o quanto é fundamental motivar suas equipes, identificar e reconhecer o talento. Como dizia Night, famoso economista inglês, “o importante não é saber fazer; é saber escolher quem é mais capaz de fazer”.
Não é à toa que a pesquisa refletiu a preocupação dos executivos com seu próprio desenvolvimento profissional. Os resultados apontam que lá fora 56% dos executivos têm aspirações de se tornarem CEOs - percentual seguido de perto pelos executivos brasileiros: 57% também desejam alcançar a posição.
Agora faço uma pergunta: será que os líderes sabem realmente atuar como verdadeiros maestros e assim afinarem sua orquestra? A triste decepção é perceber que muitos sequer estão aí para suas equipes. É cada uma por si. Lamentável.




Você não tem de ceder!