30 de outubro, 2009

Visão sem ação é alucinação

Como CEOs de uma organização somos sempre incitados a ter uma visão orientada para os negócios. As empresas esperam de nós a capacidade de pavimentar todo o caminho percorrido, transformando-o em uma trajetória de sucesso. Há sempre a expectativa de que teremos melhores ideias do que a concorrência.

Expectativa válida quando falamos de talentos, que não foram escolhidos por acaso para assumir o posto de número um nas companhias. No entanto, é preciso reconhecer que muitas vezes a expectativa criada vai além da capacidade do executivo em entregar o que se espera.

O que, por outro lado, não nos impede de reconhecer que frequentemente somos acometidos por periódicas crises de arrogância ou do que chamo de síndrome de Midas - basta apenas um toque para tudo se transformar em ouro. Um tremendo desvario. Sabemos que não é bem assim, sabemos que é preciso implementar os projetos visionários e discernir o que pode ou não ser feito.

Não podemos ignorar o inusitado, porque sem isso não há inovação. Mas também não podemos desprezar o trivial. É exatamente a combinação desses dois aspectos que transforma o plano em ação de sucesso. O que importa é fazer acontecer. Tenha uma visão inovadora, diferenciada, clara, arrojada e ponha para funcionar.

Após minha longa trajetória na linha de frente de uma empresa global aprendi que só aqueles que entram em campo com vontade, mas fazem diferente, chegam lá. Assim como muitas ideias que poderiam salvar os negócios não funcionaram simplesmente por não terem sido implementadas ou implementadas de forma errada.

Devo confessar, aliás, com certo constrangimento, que nunca encontrei na vida um visionário implementador e muito poucos implementadores visionários. Parece ser esta uma questão de DNA, mas não esqueça que só com foco você poderá ser um visionário implementador ou implementador visionário.

Visão sem ação é alucinação. Não se deixe cair na tentação de ficar bolando ideias mirabolantes, criando estratégias fora do comum ou inusitadas, se não houver por trás uma equipe capaz de primeiro entender e depois colocá-las em prática.

Executivo “Bam-Bam” é aquele que faz acontecer e não aquele que se acha só porque tem as ideias geniais. Acorde e manda ver.

Categorias: [ Estratégia ] [ Pessoas & Carreiras ]

1 Comentário

  1. Sergio Antonio Meneghetti - 4 de novembro de 2009 @ 2:44 pm

    Júlio, segue uma parte do livro “Intuição, Ferramenta de Trabalho” que acredito possa ajudar nesta questão:
    Dominância Cerebral.
    A nossa vida é uma eterna escola, e temos que estar aptos a absorver o máximo que pudermos, sem stress é claro, e de tantas coisas que já aprendi e estou a aprender, quero ressaltar algo sobre um treinamento que tive na empresa anos atrás. Este treinamento tinha um teste muito interessante chamado “Dominância Cerebral”, teste constituído de 128 perguntas sobre aquilo que mais gostaríamos de fazer (frases prontas) ou tomaríamos como decisões.
    Após as questões, havia um gráfico dividido em quatro partes, e com o gabarito das respostas, a partir destas respostas se constroem a sua tendência pessoal e suas características.
    Segue abaixo, descrição sucinta dos 04 agrupamentos de “preferências cerebrais” ou “estilos de pensamento”.

    SE = Superior Esquerdo: O analítico.
    Que analisa, quantifica, é lógico, crítico, realista, gosta de números, entende de assuntos econômicos, sabe como as coisas funcionam.

    IE = Inferior Esquerdo: O controlador.
    Que adota ações preventivas, estabelece procedimentos, faz as coisas, é confiável, organiza, é esmerado, pontual e planeja.

    ID = Inferior Direito: O relacional.
    Que é sensível com os outros, gosta de ensinar, toca as pessoas, expressivo, emocional, fala bastante e sente.

    SD = Superior Direito: O experimental
    Que conjetura, imagina, especula, arrisca-se, é impetuoso, quebra as regras, gosta de surpresas, é curioso e brinca.
    O resultado é algo muito interessante foi através deste teste que aprendi: cada pessoa tem uma característica em áreas diferentes, e ter dificuldade em certas áreas não é falta de capacidade, mas somente a falta de aprendizado ou tendência para aquela área.
    Parabéns para aquele que consiga reunir a idéia e o fazer acontecer.
    sds Sergio

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Prof. Livre-docente Julio Sergio Cardozo

Consultor em gestão de negócios, conferencista, autor de livros e artigos e professor livre-docente em controladoria e finanças.

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