21 de janeiro, 2010

Funcionário nômade, vai embarcar?

Já virou pré-requisito na hora da contratação que os executivos tenham disponibilidade para atuar fora do país. Empresas globais, inclusive as brasileiras, consideram a mobilidade geográfica um requisito fundamental. Ainda mais agora que o Brasil se tornou centro das atenções em relação as demais economias pela robustez frente à crise.

Não tem jeito, é um caminho de ida sem volta. Hoje, os talentos não ficam restritos apenas à operação local, mas são aproveitados como recursos poderosos em grandes polos no pool global da empresa. Por essa razão, quem não estiver preparado para encarar esse desafio precisa  deixar bem claro no momento em que aceitar um novo emprego da restrição.

No entanto, vale aqui um alerta, se esse for o seu caso é melhor pensar bem ou procurar uma empresa que seja mais flexível. Facilidade de adaptação faz parte da regra do jogo e profissionais abertos a mudanças são valorizados. Nem todos conseguem. Mas é o preço que se paga para quem almeja o topo no mundo corporativo.

Conheço um jovem profissional de TI, ambicioso, que sabia bem das regras.  Saiu de Recife e mergulhou de cabeça em um projeto na Líbia, atraído pela possibilidade de ascensão na carreira. Chegou como analista de suporte técnico de uma grande construtora, empresa onde já trabalhava no Brasil. Em pouco tempo foi promovido a administrador de redes e deu um novo salto mês passado, ao ocupar o cargo de coordenador de TI.

Sua luta foi árdua, já que não falava uma palavra de inglês. Hoje, se vira bem no idioma e aprendeu a se comunicar em árabe. Embora reconheça que a mudança não tenha sido fácil, pretende ainda ir para outra unidade lá fora, talvez na India. Seu único medo é a incerteza quanto ao destino profissional que terá quando voltar.

De fato, ser um funcionário nômade pressupõe riscos. Mas saber negociar bem as condições de retorno ao país de origem é fundamental. Muitas empresas globais falham neste quesito e quando o expatriado retorna tem que lutar pelo seu lugar ao sol. Na maioria das vezes acaba deixando a empresa por se sentir esquecido.

E, claro, tenha em mente que a decisão de aceitar a transferência é sempre sua, embora o mundo corporativo dificilmente aceite um não como resposta. Por isso, pondere bem que caminho trilhar, lembrando sempre que a família deve ser parte da decisão.

Vai embarcar? Tripulação, preparar para a decolagem. Portas em automático.

Categorias: [ Pessoas & Carreiras ]

1 Comentário

  1. Graziele Zwielewski - 21 de janeiro de 2010 @ 5:02 pm

    Olá Julio, adorei teu texto sobre a Repatriação de talentos que optam pela carreira internacional diante do grande “glamour” que fantasiam encontrar pela frente, mas nem tudo é um mar de rosas realmente.
    Além dos desafios da própria expatriação (lingua, choque cultural, rotina, familia…); é preciso pensar, planejar e negociar desde antes do embarque, a repatriação.
    Se me permite, gostaria de deixar aqui 2 links para mais artigos sobre o assunto:
    http://www.toliveabroad.wordpress.com
    http://www.gestaodecarreira.com.br/coaching/blog-carreira-internacional

    Um forte abraço

    Graziele Zwielewski
    skype: grazizw

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