25 de fevereiro, 2010

Quanto tempo dura a informação que você acaba de receber pelo Twitter?

O Twitter virou febre. Quem está fora não pode deixar de entrar, quem está dentro sabe que não deve sair. Poderosa ferramenta de troca de informações e de “networking”, o Twitter ganhou espaço por permitir que o conhecimento fosse compartilhado, ultrapassando fronteiras.

Criado há quatro anos, tem no Brasil, diz pesquisa, o segundo maior número de usuários no mundo, e celebridades como o apresentador Luciano Huck - primeiro brasileiro a conquistar um milhão de seguidores no país - e o presidente dos EUA, Barack Obama.  Não só mudou os hábitos de comunicação, como impôs inúmeros desafios, um deles é o grau de retenção da informação transmitida.

Quanto a esse aspecto é preciso considerar que dado à característica do Twitter - 140 caracteres e uma avalanche de mensagens que a pessoa envia e recebe por dia -, o grau de retenção da informação é baixíssimo, é efêmero.

Sabem por quê? Pensem um pouco, quanto tempo dura a informação que você acaba de receber pelo Twitter? Certamente, dura até o próximo Twitter que você receberá em instantes. Simples assim. Então, é preciso olhar o Twitter sob essa perspectiva, de que ele é um transmissor de informação etérea, que tem prazo de validade curtíssimo.

Se as informações que circulam entre seus seguidores são descartáveis, restam as seguintes perguntas: (i) como absorver todo esse mar de conhecimento que logo será jogado no lixo ou deletado de nossas mentes? (ii) vale a pena o tempo que se dedica a ler e responder as mensagens?

Talvez a resposta esteja na brilhante sacada da colunista do jornal Financial Times, Lucy Kellaway, que admiro e tem seus artigos reproduzidos no Valor Econômico: “Cheguei à conclusão libertadora de que a maioria de nós não precisa lembrar-se de quase nada para fazer nossos trabalhos de forma competente, porque quase todas as informações podem ser encontradas com um clique de mouse na internet”.

Será que caminhamos para era da memória descartável? Apesar de me considerar um twitteiro de carteirinha, não posso deixar de questionar o tempo por vezes desperdiçado com a rápida troca de informações que circulam entre nós como um cometa que mal conseguimos enxergar.

É inegável o poder que as redes sociais têm sobre nós, mas ouso duvidar se realmente estamos preparados para aproveitar essa avalanche de informações que recebemos a cada segundo, muitas das quais acabam se perdendo no limbo em meio à enxurrada irresistível de twitters onde há de tudo: informação útil, bobagens, futilidades, desabafos, coisas de gosto duvidoso.

O desafio está lançado e levante a mão quem tem alguma solução.

Categorias: [ Comentários & Reflexões ]

22 Comentários

  1. Adriana Salles - 25 de fevereiro de 2010 @ 1:30 pm

    O segredo está na seleção de quem você segue e na clareza de seus objetivos no uso da ferramenta. Por exemplo, como, além de informação e conhecimento propriamente ditos (vindos de pessoas jurídicas e de especialistas), me interessa ter um mosaico da sociedade, sigo pessoas físicas dos mais variados tipos. Muitas das quais não têm nada a ver comigo! E também uso o twitter como laboratório, o que me faz twittar sobre assuntos “estranhos” às vezes.

  2. Julio Sergio Cardozo - 25 de fevereiro de 2010 @ 3:25 pm

    Dri, eu vejo o Twitter para duas finalidades: (i)uso sério, para transmissão de informações úteis, propagar conhecimento, utilidade pública; e (ii)uso ameno ou uso fútil, para jogar conversa fora, irrelevâncias, bater papo informal, uma alternativa ao caro serviço de SMS das operadoras de celular. Julgo ambas finalidades lícitas. O que me preocupa é a distração, a perda de foco, o vício de “tuitar” inconsequentemente o dia todo “furtando” preciosas horas de trabalho, afetando a produtividade. Conheço gente que alega não ter tempo para cumprir as tarefas diárias, cumprir prazos por estar sobrecarregada, quando essa mesma pessoa passa boa parte do seu dia “tuitando”. Ora, o tempo é uma variável inelástica, passou, não volta mais. Esse “furto” é crime inafiançavel, tremenda falta de comprometimento. Tratarei mais do tema em futuro blog, que já está no forno para sair a qualquer momento

  3. Sergio Luiz Araújo Silva - 25 de fevereiro de 2010 @ 4:46 pm

    Concordo com a Adriana, só sigo pessoas que posam links interessantes, nada de ficar lendo fofocas.

  4. Julio Sergio Cardozo - 25 de fevereiro de 2010 @ 4:52 pm

    Sergio - boa solução. Alguém tem outra sugestão?

  5. Adriana Salles - 25 de fevereiro de 2010 @ 4:57 pm

    Estou com os experts das redes sociais nessa, Julio. O tempo despendido no Twitter é o tempo do cafezinho e das fofocas no trabalho e das atividades não produtivas. O ser humano sempre precisou disso de alguma maneira. A diferença talvez é que hoje é tempo dedicado a cultivo de relacionamentos/novas conexões e a atualização é considerado produtivo. Temo que as empresas que proíbem essas coisas ou as veem com maus olhos não tenham entendido nada. Uma hora bem trabalhada compensa 20 minutos de twitter, cafezinho ou fofocas fácil.

  6. Jorge Carvalho - 25 de fevereiro de 2010 @ 5:16 pm

    Julio, essa é uma discussão sem fim. Existem diversas maneiras de usar a ferramenta e depende de cada um achar a sua própria utilidade. Gosto do fato de ser um “jornal vivo” de pessoas que me interessam e que possam me ajudar de alguma maneira. Hoje, uma indicação de alguém que confio e respeito é muitas vezes mais poderosa do que algo que o um jornal tradicional me indicou. O fato de ser “em tempo real” é bastante fascinante. Sigo alguns especialista que me passam suas referências e outros que posso solucionar uma dúvida a qualquer momento. Você coloca um ponto interessante, será que vale a pena? Da mesma maneira que existem pessoas que assistem TV horas por dia, existem pessoas que ficam no Twitter. Não é um problema da ferramenta e sim um problema de auto-gestão. Sugiro que você veja o documentário digital_nation que eu postei abaixo, discute com maestria esse assunto. Grande tema levantado! Tenho sido cada vez mais cuidadoso com as pessoas que eu sigo e as que eu deixo me seguir…

  7. Clarissa Costa - 25 de fevereiro de 2010 @ 6:10 pm

    Memórias descartáveis. O PLUS da tecnologia, será que vamos acabar assim? Afinal, brasileiro esquece de tudo, esquece do Collor roubando, esquece de Jeferson sonegando, esquece que o jogador tal falhou no penalti… é.. .memoráveis e necessárias memórias descartáveis.

  8. Andrea Giardino - 25 de fevereiro de 2010 @ 6:31 pm

    Como o mundo digital é fascinante, a um clique e tudo está bem pertinho em nossas mãos. Não esqueço o quanto ficava ansiosa para me conectar na época da internet discada e era um exercício de paciência. Passava horas e horas até conseguir, mas valia a pena. Eis que tivemos um grande avanço e não dispenso um MSN, Twitter e tudo que me levar a troca de informações rápidas, imediatas.

  9. Julio Sergio Cardozo - 25 de fevereiro de 2010 @ 7:07 pm

    Sergio Luiz, taí uma boa maneira de usar o Twitter produtivamente. Bacana.

  10. Julio Sergio Cardozo - 25 de fevereiro de 2010 @ 7:10 pm

    A Giardino é da geração “late X, early Y”, logo, super conectada. Como jornalista especializada em carreiras de TI precisa estar antenada para saber, antes dos demais, o que rola nesse mundo cada vez mais digital.

  11. Julio Sergio Cardozo - 25 de fevereiro de 2010 @ 7:13 pm

    Grande Jovem Pensador, Jorge Carvalho. Estou contigo. Me intriga como seria possível reter por mais tempo aquilo que colho no Twitter. Fico desconfortável de pensar que as tuitatas que me chegam são como macarrão instantâneo, “vapt vupt”, fui!

  12. Julio Sergio Cardozo - 25 de fevereiro de 2010 @ 7:18 pm

    Dri, conversando com líderes de RH em empresas que proíbem, terminantemente, acesso às redes sociais, entre outros, eles me justificaram dizendo que a grande preocupação é o uso para pornografia, pedofilia e coisas do gênero. Também entendem que o Twitter e o MSN são fatores importantes de distração. Há casos relatados de demissão por falta de compliance com as normas internas. Há discussão do tema em reuniões de gente graúda de RH (empresas da lista das 100 maiores!).

  13. Adriana Salles - 26 de fevereiro de 2010 @ 5:38 am

    Há uma editora conhecida nas redações paulistanas que controla o tempo que sua equipe gasta no banheiro ou durante o qual usa o telefone em ligações pessoais. Sinceramente eu não acredito (com base nos exemplos práticos que coleciono em muitos anos de cobertura do mundo dos negócios) na eficácia desse micromanagement. Acho até que pode ser particularmente desastroso com trabalhadores do conhecimento (sendo que cada vez mais níveis, mesmo “os de baixo”, são ocupados por trabalhadores intelectuais). Contra a distração na internet e a pedofilia, acredito em treinamento e motivação (e no bom recrutamento de pessoas), embora saiba que isso é mais fácil de falar que de fazer e entenda o tamanho dos desafios e as dificuldades dos líderes de RH.

  14. Andrea Giardino - 26 de fevereiro de 2010 @ 9:56 am

    Acho que um dos desafios do Twitter é não deixar que as informações trocadas se percam no limbo. É difícil absorver tanta coisa se somos bombardeados o tempo todo com mensagens. Confesso que muitas delas - algumas com informações preciosas - nem consigo ver.

  15. Alberto Azevedo (ALBY) - 26 de fevereiro de 2010 @ 11:25 am

    Olá amigos gostaria de deixar registrado nesse post do Júlio minha opinião sobre o Twitter. Para mim é importante participar e ler a opinião de vocês pois eu ganho dinheiro com essa ferramenta, o que para mim tem uma utilidade real pois me ajuda a viver.

    No que chamamos de Twitter updates dá para comunicar quase tudo hoje em dia, de parabéns pelo aniversário de alguém até opiniões políticas. Ele tem sido tão útil na política, sem mencionar novamente o efeito Obama, que até o povo de um país como o Irã o usou para divulgar seu protesto com relação as recentes eleições. Isso ficou tão sério que o governo iraniano chegou a bloquear o endereço da web do twitter.com o que levou a geração de novos proxys enviado aos iranianos pelo ocidente para que eles pudessem acessar essa ferramenta de comunicação e continuar os protestos depois que a imprensa foi vetada de registrar os conflitos. Perceberam nesse exemplo a importância e a usabilidade funcional da ferramenta?

    Mas existem casos verdadeiros no Twitter no qual ele é usado para as coisa mais extraordinárias, de propostas de casamento a furo de notícias e muito mais… Aproveitei para selecionar os 7 mais famosos posts do Twitter para que possam refletir sobre sua usabilidade e, naturalmente, dentro de seus objetivos com a ferramente, disponibilidade de tempo e energia com ela.

    1. To@emilychang - After fifteen years of blissful happiness I would like to ask your hand in marriage? (maxkiesler - seu pedido de casamento depois de 15 anos de amor e amizade com sua parceira)

    2. (abaixo pai coruja falando pelo seu futuro bebê na barriga da mãe - Tyle Menscher, tuitado pelo pai Corey 6 meses antes de nascer sobre os chutes do garoto na barriga de sua mãe):

    I kicked Mommy at 12:18PM on Thu, Dec 11!

    I kicked Mommy at 12:04PM on Thu, Dec 11!

    Wow I´m being very active! I kicked Mommy 13 times at 03:44AM

    3. Are you ready to celebrate? Well, get ready: We have ICE!!!!! Yes, ICE, *WATER ICE* on Mars! Woot!!! Best day ever!! (sobre o descobrimento de gelo em Marte.)

    4. RT @tobyd@justjon Twestfestival raises $250,000, 10% in NYC.That´s 55 wells + 17,000 people helped! More info http://bit.ly/hMIh6 (festival promovido por tuiteros para angariar fundos aos necessitados de trajédia)

    5. Arrested (11:33AM Apr 10th,2008 from txt)
    (O caso de James Karl Buck em 10 de abril de 2008 quando ele e seu tradutor foram presos pela policia egípcia na tentativa de encobrir um protesto contra o governo. Seu pequeno tweet (arrested - trad: “Fui preso!”) foi o suficiente para seus seguidores correrem atrás de um advogado e avisar a imprensa antes de seu desaparecimento… ele não teria tempo nem de dar um telefonema quando ouviu os policiais arrombarem a porta… mas deu para enviar seu tweet para milhares de seguidores que foram para rua em protesto e quebrou o esquema do governo)

    6. Gosh, magnutude 7.8… God Bless… http://earthquake.usgs.gov/...
    Famoso tweet que avisou na hora do começo do terremoto e sua magnitude a milhares de pessoas antes mesmo de conseguir avisar oficialmente as autoridades às 1:46 da madrugada de 12 de Maio de 2008)

    7. Hope you are joking RT @sandieguy geeting a knife, a big one that is sharp.Going to cut my arm down the whole arm so it doesn´t waste time (Em 3 de abril de 2009 a atriz Demi Moore recebeu esse tweet de suicidio que foi retuitado e ajudou a localizar o louco que foi preso e hospitalizado. Pode não ser um tweet excelente mas ajudou a mobilizar os seguidores de Demi, que são milhões, a alertarem a polícia a tempo e localizarem o celular do maníaco, isso mostra a força dos 140 caracteres.)

  16. Helder Britto Teixeira - 26 de fevereiro de 2010 @ 4:08 pm

    O retorno que temos atraves de post no twitter é proporcional a verdade e a qualidade do que se é escrito. Consegui otimos contatos, consegui visibilidade a muitas coisas atraves desta ferramenta. Alem do mais, como voce tem a possibilidade de escolher quem é quem, muitas informações vem filtradas facilitando a busca e a leitura por temas e assuntos de seu interesse particular, eu particularmente, ganhei tempo com o Twitter.

  17. Julio Sergio Cardozo - 26 de fevereiro de 2010 @ 7:04 pm

    Helder, o Twitter é uma alternativa bacana ao MSN por permitir maior compartilhamento da informação. A pergunta-chave é: por quanto tempo você retém a informação que lhe chega pelo Twitter?

  18. Miguel Angelo Gomes - 27 de fevereiro de 2010 @ 10:38 am

    Boa pergunta,

    Em outros tempos eu me preocupava em obter informação, depois eu estava preocupado com a qualidade dessas informações, hoje após me tornar mais seleto, me preocupo em como armazenar tanta informação boa que pode nos ajudar lá na frente, com o auxilio apenas da nossa mente tão brilhante porém limitada no que diz respeito a armazenagem de informações.

    Por essas e utras razões tenho notado uma tendencia no ser humano, a de se tornar cada vez mais artificialmente produtivo, no futuro creio que teremos uma memória axiliar artificial (e o que seria a agenda do celular se não uma).

    M i g u e l - A n g e l o - G o m e s
    Blog:. http://www.admviagens.com.br
    Twitter:.http://twitter.com/admiguelangelo

  19. Alberto Azevedo (ALBY) - 27 de fevereiro de 2010 @ 1:37 pm

    Em tempo, a CNN nesse sabado pela manhã está transmitindo informações recebidas do Chile através do Twitter em seu canal por conta do terremoto de 8.8 que atingiu o país. Os âncoras pedem inssitentemente que as as pessoas mandem tweets para que eles possam repassar as informações para o mundo no CNN Report que já está preparado para recebê-los. O acesso ao país está parcialmente bloqueado e mais uma vez os 140 caracteres estão fazendo sua parte.

  20. Katia Cecotosti - 2 de março de 2010 @ 11:14 am

    A famosa Gestão do Tempo também vale para o Twitter. Antes do Twitter era o Orkut, antes do Orkut era o MSN, antes eram os chats e por aí vai. Acho que essas ferramentas são úteis sim desde que usadas para uma boa finalidade. Mas se o objetivo é matar o tempo, é possível que essas pessoas tenham realmente tempo para matar né gente. E vamos nessa que o tempo corre e o trabalho nos chama. Beijos a todos.

  21. Giovani Letti - 2 de março de 2010 @ 11:52 am

    Isso que a Lucy Kellaway fala, já vem sendo dito pelo Pierre Lèvy há muito tempo. (vide As Tecnologias da Inteligência).

  22. Angelo Sastre - 2 de março de 2010 @ 2:05 pm

    Julio Sérgio, como tudo no mundo virtual, acredito que o twitter seja mais uma ferramenta que possibilite o acesso à mais informações do que realmente temos condições de monitorar. No entanto, a grande sacada do twitter é usar a ferramenta de forma que atenda as suas necessidades. Não adianta, eu ter uma conta no twitter somente para entrar na “moda” e agregar um monte de nomes na lista de seguidos para demonstrar “status”. A saída que vejo é o critério de seleção básico de que vale mais a qualidade do que a quantidade. Seguindo esse raciocinio, procuro manter uma lista de contatos (seguidos) que proporcionem informações que me serão utéis. Assim, ganho tempo e agilidade, já que não preciso ficar filtrando informações nos sites ou em ferramentas de busca.

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Prof. Livre-docente Julio Sergio Cardozo

Consultor em gestão de negócios, conferencista, autor de livros e artigos e professor livre-docente em controladoria e finanças.

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