4 de março, 2010

Não foi promovido? Descubra se o problema está com você

Em um recente almoço de negócios, reencontrei um conhecido que não via há mais de dez anos. Quando perguntei o que ele estava fazendo, tive a seguinte resposta: “Estou na mesma empresa, no mesmo lugar”. O que poderia parecer uma boa notícia para muitas pessoas, me causou um pouco de preocupação.

Estabilidade é importante, desde que o profissional pule degraus ao longo de sua carreira. Mas fiquei calado, deixando a conversa rolar. Até que ele se vira e diz: “Julio, não entendo uma coisa. Dou resultados espetaculares para a empresa, sou responsável por uma grande parcela do faturamento da empresa, vivo batendo metas, sou bem avaliado e não saio do lugar”.

Bingo! Não tem como no mundo corporativo alguém querer ficar estagnado. Aqueles que possuem esse perfil buscam um emprego público. Há algumas semanas vi uma matéria muito interessante na revista Harvard Business Review que me levou a escrever esse blog. Assim como esse meu colega, tantas outras pessoas vivem o problema diariamente.

Em princípio, quando se pensa em avaliar os critérios de uma promoção, logo se imagina que impera fatores político, certo? Sim e não. A questão política existe, a subjetiva também e não raro assistimos a promoções equivocadas em que profissionais pouco preparados assumem cargos de liderança. Tenho certeza que você conhece pelo menos 5 exemplos, certo?

Cenários como esses são bastante comuns e acontecem bem mais do que imaginamos. Mas não é regra profissionais com credenciais e inúmeras competências serem preteridos a uma promoção porque representam uma ameaça ao seu superior. No caso do meu colega, é quase certo que ele foi vítima sim da competição acirrada que existe no mundo corporativo. E saiu perdendo.

Talvez nesses casos, a melhor solução seja mudar de emprego e ir atrás de uma oportunidade que valorize seu talento. No entanto, recomendo que se faça uma reflexão minuciosa de todos os pontos que o permitiriam alcançar voos mais altos. Pense se realmente você é visto pela organização como profissional elegível a subir um ou mais degraus.

Às vezes você bate metas, entrega resultados, mas não consegue liderar equipes. Aí, bem do seu lado, tem alguém que usa o poder de persuasão para gerenciar conflitos e motivar equipes por saber que esse é um aspecto que vai conseguir de cada um o melhor. Pronto, é essa pessoa que está na mira da chefia.

Os promovidos são profissionais produtivos, proativos, que se antecipam às demandas do gestor e apresentam soluções antes mesmo de alguém pedir. Além disso, têm visão estratégica e pensam na forma como a empresa pode fazer ainda melhor do que já faz. Se você acha que fez tudo isso e nada aconteceu, tente conversar com seu superior.

Muitas empresas costumam ter gestores que não dão “feedback” ou não conseguem apontar os pré-requisitos para alguém ser promovido. Por isso, sempre que puder, converse com seu chefe, tente ter indícios. Essa é uma forma de entender o que a empresa espera de você. Deixar rolar pode ser sua ruína, já que talvez seja difícil de reverter uma impressão equivocada de que você não está preparado para crescer.  Se ligue!

Categorias: [ Pessoas & Carreiras ]

4 Comentários

  1. Alexandre José Teixeira - 4 de março de 2010 @ 4:25 pm

    A grande pergunta, temos de ser promovidos? Quando alcançamos o nosso potencial executivo máximo? Alguns profissionais chegam a gerente de alguma área e ficam felizes por alcançar seu potencial executivo máximo. Outros querem a presidência executiva. Como avaliar a nossa inteligência emocional para saber qual é o nosso potencial executivo máximo? Essa é a grande questão.

  2. Alexandre Silva - 5 de março de 2010 @ 11:41 am

    Julio, é verdade, existem vários casos como este que você mencionaou acima, mas muitas vezes o problema não é da empresa e sim da própria pessoa. Muita gente ainda acha que quem é responsável pela carreira é a empresa e então fica esperando o superior chama-la em sua sala e dizer “temos uma promoção para você��?. Isto é acreditar em papai-noel, a decisão da carreira está na mão de cada profissional, você tem que expor ao seu superior e ao RH qual é o seu objetivo e perguntar o que vc precisa desenvolver para poder atingí-lo, caso não veja esta possibilidade dentro da empresa, procure outra.
    Parabéns pelo artigo.
    Abs,
    Alexandre Silva

  3. Kleberson - 5 de março de 2010 @ 11:55 am

    Concordo, porém infelizmente nas últimas empresas que passei multinacionais e nacionais, só ví crescimento profissional de pessoas que não tinham capacitação e não tinham perfil, mas foram promovidas por conta de simpatia com o chefe, ou por conta de politicagem pura.
    Acredito piamente que a era do reconhecimento por competências caiu, os líderes preferem promover os amigos, para não se sentirem ameaçados. Desacreditei das lideranças, mas não desacreditei de mim.

  4. Julio Sergio Cardozo - 5 de março de 2010 @ 7:14 pm

    Alexandre, puxa, é isto mesmo, tem muita gente que “terceiriza��? a sua carreira, deixa na mão da empresa. A frustração, maioria das vezes, é fruto justamente deste desleixo. Por outro, há que se reconhecer, têm chefes que não gostam, não toleram e até não admitem discutir a carreira dos seus subordinados. Desconfio que se trata, no caso, da falta de preparo das chefias. Em pleno Século da informação, da inclusão social, da tolerância, chefes ainda se comportam como senhores feudais, sacam da espada e cortam a cabeça do pagem que ousou perguntar sobre o seu destino na távola. Segue o debate.

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Prof. Livre-docente Julio Sergio Cardozo

Consultor em gestão de negócios, conferencista, autor de livros e artigos e professor livre-docente em controladoria e finanças.

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