
A partir de hoje dou início a uma série de blogs em formato ping-pong. A ideia é entrevistar renomados executivos que falarão sobre as tendências de mercado e os mais diversos assuntos do mundo dos negócios. Na última semana de cada mês, os leitores do blog terão a oportunidade de saborear um pouco a visão privilegiada de alguns das mentes mais celebradas do país.
Quem estreia este mês de março é Fernando Birman, ex-CIO da Rhodia no Brasil e que hoje ocupa o cargo de diretor de estratégia e arquitetura de TI do grupo em Lyon, na França. Ele conta o que acha do perfil do profissional de TI do futuro e seus desafios. Confira trechos abaixo:
Como a tecnologia está mudando o mundo?
A tecnologia da informação (TI) está paulatinamente se incorporando em todas as nossas atividades, seja na esfera pessoal ou na profissional. As pessoas, as famílias, as comunidades, as empresas e a sociedade como um todo estão em plena transformação. A TI tem impacto na produtividade pessoal, na forma de se fazer negócios e na consolidação das democracias. Por incrível que pareça, ainda estamos no começo desta revolução. Até agora, estávamos na fase piloto. Agora, com alguns bilhões de pessoas conectadas, é que a coisa será para valer!
Fala-se tanto em escassez de talentos em TI e por que muitos profissionais seniores estão sem emprego?
A TI é muito dinâmica e está sempre em transformação. Ao contrário de muitas outras profissões, em um curtíssimo espaço de tempo, podem surgir nichos totalmente inexplorados. O aproveitamento de tais oportunidades depende menos do talento técnico em si e mais da percepção do momento, da agilidade e da aceitação do risco.
Em tese, esta força de renovação da TI tenderia a ser injusta com os seniores. Muitos deles conseguem subverter essa tendência através da atualização permanente e do desenvolvimento de outras habilidades, como por exemplo, da carreira executiva. Há muitos caminhos para os seniores preservarem a sua atividade no mundo da TI.
Pesquisa recente da consultoria AT Kearney aponta que o cargo de CIO está perdendo o glamour. O senhor concorda?
Como podemos perder o que nunca tivemos? O CIO é muito mais um modelo do que um cargo real. A grande maioria das empresas possui um primeiro executivo de TI que, de alguma forma, tenta se aproximar do ideal de CIO.
Qual o perfil do profissional de TI do futuro?
A TI engloba uma família de profissões heterogêneas. Não posso imaginar um perfil único. Talvez a grande massa dos nossos efetivos esteja ligada à carreira de desenvolvimento de sistemas, mesmo assim, são inúmeros os caminhos para se exercer esta opção. Com a ubiquidade da tecnologia da informação, a carreira de TI vai se dissociar da informática corporativa. Vejo três eixos principais:
1 - Uma grande massa de profissionais optando pelo empreendedorismo, gerando uma infinidade de pequenos prestadores de serviços, que trabalharão para empresas maiores ou oferecerão seus serviços no mercado virtual;
2 - Um grande contingente de profissionais nas empresas de TI, em que reina o trabalho em equipe, a atualização constante, a mobilidade e o desenvolvimento segundo as melhores práticas;
3 - Um número decrescente de profissões e profissionais de TI permanecendo nas empresas consumidoras de TI, onde se destacam algumas especializações de nicho, como arquitetura, governança de TI e o profundo conhecimento dos processos de negócio.
E o que falta a esse profissional
Capacitação técnica e gerencial não é o problema principal. Estamos no caminho correto. Quando afirmo que uma grande parte do mundo da TI será constituída de profissionais independentes e pequenas empresas, estou mais preocupado com a forma que os governos facilitarão este movimento do que qualquer outro assunto de natureza técnica.




Você não tem de ceder!