22 de julho, 2010

Lenha na fogueira: Eneagrama para recrutar talentos

Tamanha foi a repercussão do blog sobre o uso da Sinastria (http://www.cardozo-group.com/?p=2509) nas contratações, gerando até discussões acaloradas, que resolvi falar de outra ferramenta bastante adotada por coaches, o Eneagrama. Sei que certamente vou levantar nova polêmica, mas há profissionais sérios que afirmam ser este um grande aliado na hora de mapear as características dos candidatos.

Depois de ler a respeito e conversar com gente que é fera no assunto descobri que o Eneagrama pode realmente vir  a funcionar, porque consegue retratar as diferentes personalidades dos indivíduos. Sabemos que há pessoas mais complicadas e outras mais fáceis de lidar, então, quando se vai buscar um executivo para trabalhar é muito melhor encontrar alguém que tenha as características que lhe agradam, que combinem com você.

O Eneagrama ao criar perfis, chamados por máscaras, estabelece 9 tipos, do perfeccionista ao observador. Uma pessoa tipo 5, classificada como “observadora”, é considerada detalhista, ao passo que um tipo 7, “epicurista”, tem dificuldade de cumprir horários, por exemplo.  Ambos estão presentes no mesmo ambiente de trabalho e como podem conviver pacificamente, sem conflitos?

O próprio livro do filósofo, administrador de empresas e consultor Christian Paterham tem a definição clara do que se propõe o Eneagrama: “todos nós temos um comportamento padrão e o autoconhecimento permite um melhor relacionamento com o grupo”. E por que máscaras? “As máscaras são aquelas que escolhemos ao longo da vida, que escondem o verdadeiro eu e dificultam o autodesenvolvimento”, explica Paterham. 

Conheço alguns executivos que ficaram impressionados quando se submeteram aos testes do Eneagrama. Todos se surpreenderam com a definição de cada perfil e da análise comportamental. Há inúmeros testes de Eneagrama disponíveis por aí, inclusive na internet.

 A maior parte das “escolas” de Eneagrama entende que a identificação dos tipos deve ser feita pela própria pessoa, a partir de exercícios de auto-observação. Sua origem não é conhecida, mas existem informações de que suas aplicações datam de mais de quatro mil anos, por Pitágoras. Originalmente trazido pelo filósofo armênio G.I.Gurdjieff <http://pt.wikipedia.org/wiki/G.I.Gurdjieff>  para o Ocidente, após 20 anos de peregrinação pelo Oriente, o Eneagrama tenta trazer uma visão dos tipos humanos. 

Diversos estudos e escolas de Eneagrama surgiram ao longo do tempo e passaram a explorar este conhecimento antigo, com aplicações bem sucedidas na psicologia e no mundo dos negócios. Nas empresas, tem se mostrado um recurso interessante não só nos processos de seleção de profissionais, como também na formação de equipes e programas de motivação.

Pode ser de fato algo esotérico, sem utilidade, mas pode ser que funcione, como é o caso da Sinastria. Naturalmente, essa é uma feramenta coadjuvante, auxiliar e nunca  deve ser o principal critério a ser utilizado. Mas se você quer se conhecer melhor, trabalhar os aspectos deficitários de seu comportamento e explorar seus pontos fortes, vale a pena conhecer o Eneagrama.

Que tal aplicá-lo em seu parceiro ou parceira?

http://www.fredport.com/TESTENEA1/tstenea2.htm

http://istoedinamica.terra.com.br/istoe/testes/teste_tipo_psicologico/abre.asp

Categorias: [ Pessoas & Carreiras ]

9 Comentários

  1. Fabricio Luiz Novaes da Silveira - 23 de julho de 2010 @ 10:14 am

    No dia em que o ser humano puder ser rotulado e catalogado em apenas 9 categorias, por favor, me avisem já que preciso conhecer. Até o momento em que estou conheci e conheço uma infinidade de categorias.
    Desculpe se incomodo alguem, mas não é possivel nem catalogar animais da mesma espécie em apenas 9 categorias e, segundo a “lenda”, eles são irracionais e nós não.

  2. Gestopole-466 - 23 de julho de 2010 @ 3:28 pm

    São interessantes suas colocações sobre o Eneagrama, inclusive elencar o link do teste proposto pelo Frederico Port (foi meu professor). O Eneagrama é uma ferramenta inteligente de percepção de perfis e realmente pode ajudar muito no tratamento de diferenças e conflitos dentro de uma organização. O problema do Eneagrama, como de toda a ferramenta, não é seu fim e sim sua utilização. O profissional que irá utilizar o Eneagrama deve ser muito capacitado nesta ferramenta e principalmente deve saber trabalhar com as informações extraídas deste levantamento de perfil. O que se percebe hoje é que o Eneagrama é utilizado como um “levantamento padronizado de comportamento”, sendo que com isso voltamos à Escola de Relações Humanas, que acreditava que o comportamento humano poderia ser condicionado e que todos os membros de determinados grupos seguiriam um “padrão”. Será que é possível estabelecer um “comportamento padrão” se tratando de pessoas?

  3. Roni Chittoni - 24 de julho de 2010 @ 11:01 am

    Julio, em seu texto você diz: “Sei que certamente vou levantar nova polêmica, mas há profissionais sérios…” - por favor, aponte-me apenas UM profissional “sério” que usa o eneagrama…
    Meu caro, permita-me: gosto de alguns dos seus textos. Revelam inteligência, argúcia. Mas, creio, já é tempo de tratarmos assuntos sérios (como é “recrutamento e seleção”) de maneira igualmente séria, acadêmica - temos os recursos para isso, sem recorrer a fantasias. Nas páginas de um blog que tem o sobrenome HSM, sua colaboração, sem dúvida é bem vinda - mas coloque-a em outro nível. Mais elevado.

  4. Murillo Burjak - 26 de julho de 2010 @ 9:29 am

    Artigo excelente, com pontos a serem levados em consideração ñ só no departamento de RH, mas O eneagrama deveria ser passado para todas as pessoas, o que traria benefícios incalculáveis para a sociedade e para o mercado de trabalho, pois ele nos leva a nos auto-avaliar e observarmos mais cada atitude para confirmar nossa personalidade.

  5. Cadu Lemos - 26 de julho de 2010 @ 11:34 am

    Julio, gostei do artigo, bastante detalhado. Utilizo em diversas equipes de alta performance o Eneagrama, com bastante sucesso. Clientes como Avon, Unibanco, Vivo, Oi e Votorantim, já utilizaram em seus programas de gestão.
    Tenho dúvidas com relação ao uso em recrutamento. Esse é realmente um tema polêmico e ainda passivel de muitos debates.
    Em minha experiência, sua utiização como forma de rever posturas e atitudes, formas de comunicação e relacionamento de equipes já estabelecidas é sim de grande utilidade e resultados já comprovados.
    Roni,
    Universidades como Stanford, Loyola (EUA) FGV e USP (Brasil) utilizam a metodologia em alguns de seus programas.
    Empresas como Boeing, IBM, Motorola, Genentech e até o FBI também se beneficiaram da profundidade deste instrumento em seus ambientes.
    Aqui no Brasil existem profissionais dedicadíssimos ao estudo do Eneagrama e sua aplicação no mundo corporativo. Um deles, já mencionado no artigo é o Christian Paterhan. Posso citar o presidente da Associação Mundial de Eneagrama, o brasileiro Urânio Paes Jr., que atua exclusivamente em empresas, tendo sido um dos pioneiros no Brasil na aplicação deste instrumento. Conheço pelo menos mais uma dezena de consultores dedicados ao tema que tem sido atuantes dentro de organizações.
    abraços!
    Cadu Lemos

  6. Roni Chittoni - 26 de julho de 2010 @ 5:39 pm

    Cadu - nao obstante as referencias que voce oferece, permita-me lembrar da fragilidade dos argumentos que sustentam praticas de analise como a sugerida: desconheco qualquer argumento de defesa assertivo, seguro e definitivo em questoes como essa apresentada pelo Julio. Enfatizo a absoluta necessidade de deixarmos de lado essas, no meu entender, “fantasias” abstratas e nos concentrarmos no que é objetivo, consistente e prático. Julgo que Eneagramas, Sinastrias, relatorios Belbin e tantas outras formulacoes nao passam de abstracoes carentes de uma base solida, universalmente reconhecida e testada. Agradeco o interesse pelo debate, meu caro. Abracos fraternos.

  7. Julio Sergio Cardozo - 26 de julho de 2010 @ 7:24 pm

    Roni, o Cadu tem razão. Há muitas empresas tradicionais e conhecidas usando o Eneagrama (no Brasil e no exterior) para diversas situações relacionadas à gestão de pessoas. O tema é levado a sério a ponto de existir uma gama interessante de consultores dedicados. Recentemente, conversei com a consultora Fattima Motta - que se utiliza dessa técnica em dinâmicas com, segundo ela, razoável sucesso. O Eneagrama tem sido objeto de debates e estudos no mundo ocidental já há bastante tempo. Você pode até não gostar e, eventualmente, se sentir incomodado, mas a gestão de pessoas tem nuances por vezes insólitas. Agradeço sua sinceridade. Asseguro que nossos blogs são calcados em pesquisa séria, muito das vezes apoiados em nossa experiência corporativa e acadêmica. Sugiro que você considere que não sabemos tudo o que ocorre neste vasto mundo de ideias. Dê uma chance ao contraditório.

  8. Cadu Lemos - 26 de julho de 2010 @ 8:42 pm

    Roni, antes de mais nada, permita-me uma correção. Não se pode colocar o Eneagrama como abstração. Existe uma vasta literatura sobre o assunto caso você tenha interesse em conhecer melhor a metodologia. Definir o Eneagrama como abstração carente de base sólida, universalmente reconhecida e testada é passar por cima, apressadamente, de muitos anos de estudo e comprovação de instituições e profissionais sérios e dedicados, demonstrando justamente aquilo que todo o profissional de relações humanas deveria combater: inflexibilidade e pré julgamento.
    Porém, antes de acreditar em tudo o que está por aí (testado e comprovado), o melhor é que você mesmo se dê a essa oportunidade. Como em toda a ‘nova fronteira’, esta também atrai todo o tipo de gente. É preciso buscar fontes sérias. Uma sugestão é conhecer o site do David Daniels (professor de medicina de Stanford) e ver o que ele diz. Veja aqui:
    http://www.enneagramworldwide.com/explore-the-enneagram/what-is-the-enneagram/
    ou ler o livro dele publicado no Brasil: “A essência do Eneagrama”. Leitura agradável com a possibilidade de você descobrir de fato, o poder desta ferramenta, testando em você mesmo.
    Outro fraterno prá você também.

  9. Roni Chittoni - 26 de julho de 2010 @ 8:52 pm

    Julio, aprecio receber o seu ponto de vista, como autor (de textos que já expressei interesse) deste post. Contudo, vou insistir: penso que se dedicarmos nossa atencao e empenho na compreensao das idiossincrasias humanas, com o amparo do ceticismo academico, podemos deixar de lado tais pseudo-ferramentas e encontrarmos um meio, modo ou seja lá como se apresentar, de entender definitivamente da mente humana e suas expressoes. É um caminho longo e, certamente, os primeiros passos sao inseguros. Pouco, muito pouco, por exemplo, se levou de conhecimento ao processo de entrevista e avaliacao de pessoas, por exemplo. Tenho pesquisado em diversas fontes ( teses, estudos academicos e outras publicacoes ) e percebo que sao recentes ( nao alcanca 40 anos ) as conclusoes sobre a assertividade das entrevistas estruturadas, por exemplo, aplicadas no processo de selecao e recrutamento. Creio que isto é um indicador relevante - ha um caminho a percorrer. Mas é um “caminho” com o amparo de indicadores, resultados, amostras, populacoes pesquisadas e conclusoes objetivas, concretas.
    Ao agradecer a sua replica ao meu comentario, permita desculpar-me pelo eventual exagero quando disse, em meu comentario “mas coloque-a em outro nível.”
    Sou admirador do seu trabalho, apesar de guardarmos estas diferencas. Abracos fraternos.

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Prof. Livre-docente Julio Sergio Cardozo

Consultor em gestão de negócios, conferencista, autor de livros e artigos e professor livre-docente em controladoria e finanças.

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