28 de julho, 2010

O que a aprovação do casamento gay tem a ver com o mundo corporativo?

Entrevista de Julio Sergio Cardozo,  publicada dia 27 de julho no site da Administradores.com,  por Simão Mairins. Acesse: http://www.administradores.com.br/informe-se/carreira-e-rh/o-que-a-aprovacao-do-casamento-gay-tem-a-ver-com-o-mundo-corporativo/36068/

 

Recentemente, a Argentina legalizou o casamento entre cidadãos do mesmo sexo, e passou a integrar o pequeno grupo de países (como Portugal, Espanha, Holanda, Bélgica e Canadá) que têm a garantia expressa em suas constituições. Como já era de se esperar, a decisão não passou imune a críticas. Mas não há dúvidas de que a medida - aceita pela maioria da população dos lugares onde foi aprovada, na prática, tem representado mais que uma simples mudança na legislação. O reconhecimento legal à união entre homossexuais reflete a lenta construção de novos valores que, aos poucos, as sociedades estão aprendendo a cultivar.

O casamento gay ainda é um tabu, assim como várias outras questões foram ou continuam a ser. Mas, assim como o fim da segregação racial, por exemplo - que não eliminou, de vez, a discriminação do negro, o reconhecimento legal da diversidade demarca a transição entre dois momentos distintos, e vem eliminar barreiras que ainda resistem em diversos setores, inclusive, no mundo corporativo. 

“Ainda caminhamos a passos lentos nesse sentido, mas em algumas empresas encontramos programas específicos que visam promover a diversidade. As grandes, sobretudo, tentam aumentar a participação feminina em seus quadros e evitar tanto a discriminação racial quanto em relação à orientação sexual dos profissionais”, afirma Julio Sergio Cardozo, livre-docente da UERJ e consultor de empresas. 

Para Cardozo, as companhias que conseguem enxergar a diversidade em suas equipes com respeito conseguem melhores resultados. De acordo com o consultor, diante do preconceito as “pessoas se ofendem, ficam desmotivados e produzem menos, porque querem ser reconhecidas e respeitadas por suas habilidades e não por sua orientação sexual”. 

Cardozo ressalta ainda que a discriminação “afeta a capacidade da empresa recrutar talentos, que, não necessariamente, são todos heterossexuais”. Para o consultor, “o mais importante é ter pessoas com perfis e habilidades diferentes, que se completam. Não importa o sexo, nem a cor”. 

Preconceituoso, eu? 

“O grande problema que ainda vejo é o preconceito velado que existe entre as pessoas”, afirma Julio Sergio Cardozo. Segundo o consultor, ainda é comum, mesmo aquelas pessoas que dizem não praticar nenhum tipo discriminação, agirem de maneira desrespeitosa. “Quando há brincadeiras ou piadinhas de mau gosto é uma demonstração clara de que existe preconceito”, afirma Cardozo. 

Diversidade cultural 

Em um mundo cada vez mais interligado, outro aspecto fundamental a ser observado dentro das empresas é o respeito às diferentes culturas. No entanto, segundo Cardozo, são poucas ainda as que estão atentas à questão. “Muitas, não se preocupam com a diversidade cultural. Uma pesquisa da Ernst & Young feita com 520 executivos de empresas globais revelou que apenas 5% de seus líderes atuam fora do país-sede. Se os executivos estivessem espalhados por diferentes pontos do mundo, teriam experiências distintas para compartilhar”, afirma o consultor. 

E você, o que acha: o respeito à diversidade é importante para as empresas? Deixe seu comentário.

Categorias: [ Pessoas & Carreiras ]

1 Comentário

  1. Alexandre José Teixeira - 28 de julho de 2010 @ 3:20 pm

    Julio, diversidade sempre é bom. A Biologia nos mostra isso. Não podemos esquecer do impacto nas contas da previdência pública, privada e nos fundos de pensão das empresas privadas. O déficit previdenciário aumentaria muito. Pelo princípio constitucional da isonomia os homossexuais têm os mesmos direitos e deveres dos heterossexuais. Será que a sociedade brasileira está preparada para pagar essa dívida social? Não é só uma questão de preconceito. É uma questão financeira. O que o Sr. acha?

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Perfil

Prof. Livre-docente Julio Sergio Cardozo

Consultor em gestão de negócios, conferencista, autor de livros e artigos e professor livre-docente em controladoria e finanças.

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