Tenho uma amiga que de cinco anos para cá passou a ganhar mais do que o marido. Hoje é dela a maior renda da casa, embora a situação não chegue a ser constrangedora para ambos como poderia se imaginar. Mesmo sendo de uma geração em que o homem era o provedor da família, os dois aprenderam a administrar essa nova realidade.
Casos em que a renda da mulher supera a do homem nos lares ainda são poucos, no entanto mais do que dobraram nos últimos 25 anos, de acordo com um levantamento feito pela pesquisadora Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
A pesquisadora chama atenção para o fato de que um dos motivos desse cenário é a escolha por maridos de renda menor. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo de domingo passado (8), ela explica que, se antes a preocupação do sexo feminino era casar com um parceiro que tivesse condições de sustentá-la, hoje esse aspecto deixou de ser essencial.
Sabemos que o estereótipo da família tradicional do século XX, no qual a mulher cuidava exclusivamente da casa e dos filhos e o homem era o provedor do sustento da família, ficou para trás. Vários elementos históricos contribuiram para que a realidade atual seja outra, como a Revolução Industrial, as Guerras Mundiais do século XX e o movimento feminista.
Aliás, pouca gente sabe, mas o Dia Internacional da Mulher é comemorado em 8 de março porque foi nesta data, em 1857, que aconteceu a mais emblemática manifestação em busca da igualdade em uma fábrica de Nova Iorque, reprimida com brutalidade e provocando a morte de 130 operárias.
Apesar de tantas lutas e conquistas, em pleno século XXI, na era da Internet e da globalização, as mulheres ainda enfrentam um grande desafio: o equilíbrio entre ser profissional e, ao mesmo tempo, mãe. Felizmente, os homens acordaram e deixaram seu lado machista um pouco de lado - eu falo um pouco, pois falta um longo caminho para assistirmos a uma queda total de fronteiras entre o universo masculino e o feminino.
No Brasil, assim como no resto do mundo, a participação feminina no mercado de trabalho cresceu de forma significativa nas últimas duas décadas. O início dessas transformações aconteceu entre os anos 60 e 70, com as mulheres indo para as universidades. No final dos anos 90, elas passaram a representar quase 41% da força de trabalho brasileira.
Ganharam espaço em várias profissões, muitas das quais predominantemente masculinas, a exemplo de tecnologia da informação, onde já ocupam cerca de 45% das vagas e 34% dos cargos de chefia, segundo o instituto Great Place to Work, em sua lista “As 50 melhores empresas para trabalhar de TI e Telecom”.
Precisamos reconhecer que a mulher ganhou voz, muito embora continuem sendo discriminadas no mercado de trabalho ao ocuparem menos cargos de chefia que mereciam e recebendo salários bem abaixo do que os homens. É inegável que está na hora de deixarmos a hipocrisia de lado se quisermos que essas mulheres, que tanto amamos, assumam seus verdadeiros espaços, não só nas nossas vidas mas também no mundo corporativo. Igualdade com respeito, amor e inteligência, por uma sociedade melhor, mais justa, mais feliz e colorida.




Você não tem de ceder!