10 de setembro, 2008

Entre copos e talheres

Conheço um brilhante executivo que toda vez que precisa prospectar clientes ou travar novos contatos com possíveis investidores vive um enorme conflito interno. Por ser extremamente introvertido, acaba passando noites e noites sem dormir estudando o que fazer. Mas na hora “H”, o resultado é sempre o mesmo, mal consegue pronunciar o discurso ensaiado dia após dia.

 

Sua timidez tanto se transformou em um eterno pesadelo na sua rotina que, por várias vezes, ele me confessou já ter até cogitado em abandonar o mundo corporativo. Não há dúvidas que os tímidos querem uma chance. Muitos terapeutas explicam que a timidez tem origem no medo da rejeição, levando-os a se sentir aterrorizados quando precisam fechar um negócio com um estranho, por exemplo.

 

Entretanto, o que todos precisam aprender é que o hábito de fugir das pessoas, evitar contatos, certamente vai comprometer sua carreira. No início do ano li uma reportagem na revista americana CIO, onde o “coach” Keith Ferrazzi  dizia que “o ‘networking’ era visto pelos tímidos, na melhor das hipóteses, como algo desprovido de sinceridade ou algo manipulador”. Um grande erro na minha visão.

 

Nem todo mundo que você conhece ou que ainda vai conhecer é ou se tornará seu amigo. Mas, se soubermos cultivar e ampliar essa rede de relacionamentos teremos mais pessoas com as quais poderemos contar em qualquer situação. Por isso, não devemos deixar que nosso network envelheça. É fundamental continuar acrescentando novos contatos, dia após dia.

 

Ao longo de toda minha trajetória profissional, que soma mais de 30 anos, as amizades e os contatos que estabeleci sempre foram fundamentais para que minhas idéias se transformassem em negócios de sucesso. E se há uma coisa que aprendi sobre network é que ele só funciona quando você é capaz de dar sem esperar nada em troca. Surpreendentemente, é aí que as coisas chegam para nós.

 

Quando, há dois anos, decidi junto com um grupo de 10 amigos criar a Confraria dos Peraltas, a idéia era apenas trocar informações sobre vinhos, descobrir os melhores rótulos. Hoje, apesar de termos como regra número 1 não falarmos de negócios, muitos casos concretos de grandes êxitos foram realizados fora dali.

 

Sem dúvida, o verdadeiro networking vai além de uma simples lista de contatos. Em nossa confraria, as pessoas se aproximam, se conhecem, trocam experiências.  É uma porta para quem não consegue se socializar. Somos tão unidos e dividimos tantas coisas interessantes que atraímos a atenção da imprensa. Este mês servimos de reportagem para a revista Menu, publicada pela editora Três, a mesma da Istoé e Istoé Dinheiro.

 

Costuma-se dizer que ninguém pode escolher a família em que nasce. Ao contrário dos amigos. A amizade é um dos sentimentos mais nobres que existem. Nasce de forma espontânea e vai se construindo pilar por pilar. Muitos definem o networking como uma rede de contatos que você conhece e pode “usar” quando necessário. Mas se forem bem cuidadas, você consegue ir além das relações descartáveis, calcadas em interesses passageiros e vantagens momentâneas. Acreditem. Saímos da confraria sempre ávidos pelo encontro do próximo mês.

7 Comentários

  1. Alberto Favero - 10 de setembro de 2008 @ 9:42 pm

    Julio,

    brilhante artigo. Concordo com você em gênero, número e grau. A amizade é um sentimento nobre e devemos cultivá-la desprovidos de interesses. Dessa forma teremos verdadeiros amigos e o nosso “networking” será muito mais valioso; e naturalmente as coisas acontecem, e quando acontecem não somos nós que exploramos alguém ou somos explorados, mas sim cria-se uma oportunidade para ajudarmos nossos amigos.

    Parabéns pelo seu sítio e pela sua iniciativa. Voltarei sempre para ler e compartilhar as idéias do amigo.

    Abraços,

    Fávero.

  2. Carlos Balote - 11 de setembro de 2008 @ 1:05 pm

    Caro Julio,
    gostaria de parabeniza-lo pelo site e pelo artigo acima.
    Tive oportunidade de conhecê-lo entre copos e talheres e posso reforçar que você personifica bem o conteúdo do artigo no que diz respeito a networking e palavra amizade.
    Construtor de pontes e valores entre pessoas.
    Desejo sucesso,
    Carlos Balote

  3. Luiz Carlos Passetti - 11 de setembro de 2008 @ 6:07 pm

    Julio,
    Muito oportuna sua reflexão, onde de forma objetiva e sensata você desvenda o sentido de amizade, relacionamento de longo prazo, interesse de curto prazo e, porque não, prazer no nosso dia-a-dia.
    Parabéns pela iniciativa e pelo site.
    Boa sorte e conte comigo.

    Luiz Passetti

  4. paulo c p novis - 12 de setembro de 2008 @ 10:59 am

    Julio,

    parabéns pelo site e pelos insights dos artigos.
    abs e sucesso,
    Paulo

  5. Márcia Revoredo - 12 de setembro de 2008 @ 5:09 pm

    Olá Professor,
    Adorei ler esse texto, especialmente por concordar com a sua definição do funcionamento da rede de relacionamentos, a qual eu costumo chamar de “corrente do bem” (dei esse nome após ver o filme). Fazer o bem sem esperar nada é prazerozo por si só, mas quando em um momento difícil somos agraciados pelo bem, feito por uma outra pessoa, a qual tem a capacidade de: 1 - identificar nossa necessidade e 2 - nos ajudar a superar a dificuldade, sem esperar nada em troca…
    É realmente emocionante.
    Só quem já viveu experiências assim sabe…

  6. Nanete Neves - 1 de outubro de 2008 @ 12:09 pm

    Julio,
    Parabéns pelo site!. Com um visual bonito e elegante, ele nos traz ótimos textos em tom coloquial e preciso, e ainda enfoques por novos ângulos. Mas, de todos, gostei especialmente deste artigo. Com ele você nos mostra a importância das amizades. Assim como no amor, não basta apenas conquistar, é preciso alimentar. Por essas e por outras é que tenho muito orgulho em ser sua amiga.
    Sucesso sempre.

  7. Miguel Angelo Gomes - 23 de fevereiro de 2010 @ 11:43 am

    Muito interessante suas colocações, é um texto rico e refinado, assim como muitos que por aqui estão postados. Parabéns, descobri sem querer esse oáses na internt e espero passar por aqui mais vezes.

    Parabéns

Comentário

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Prof. Livre-docente Julio Sergio Cardozo

Consultor em gestão de negócios, conferencista, autor de livros e artigos e professor livre-docente em controladoria e finanças.

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