14 de janeiro, 2010

O paradoxo da longevidade e o fim dos empregos

As pessoas ainda não se deram conta, mas três aspectos vão afetar diretamente suas vidas: viverão cada vez mais, não encontrarão tantas oportunidades de trabalho porque já não há empregos para todo mundo como antes e terão carreiras mais curtas nas empresas. Alguns podem achar exagero da minha parte, mas essa é a pura realidade. Enquanto por um lado o mercado não consegue absorver os milhares de profissionais que perdem seus empregos todos os dias, por outro, dados recentes do IBGE chamam a atenção para o aumento da expectativa de vida dos brasileiros. 

Por baixo, atingiremos os 72 anos. Mas com saúde, energia, disposição e vontade,  certamente chegaremos aos 100. É inegável que não podemos fechar os olhos para uma realidade que está na nossa frente, a longevidade, que se transformou em um dos maiores desafios da humanidade. Como, então, conviver diante desse paradoxo? Se vamos viver mais, mas em contrapartida não teremos emprego, o que fazer? 

A solução está no planejamento da carreira. Ter um plano B deixou de ser apenas discurso de consultor para se transformar numa necessidade para aqueles que estão brigando por um lugar no mercado.  Pare para pensar, quantos amigos seus ou conhecidos passam mais do que cinco anos na mesma empresa? Quem do seleto grupo de executivos teve o privilégio de sobreviver no mundo corporativo após os 60 anos? Já notaram que muitas grandes empresas começam a ter no comando profissionais entre 40 e 45 anos? 

Não tenho dúvidas que as mudanças que enfrentamos hoje terão impactos mais profundos bem mais cedo do que imaginamos. Estava relendo o livro de Jeremy Rifkin, “O Fim dos Empregos”,  e vi o quanto visionário ele foi ao prever  um futuro não tão brilhante: a sociedade caminhando para um declínio dos empregos. 

Esta nova fase, chamada por Rifkin de a terceira revolução industrial, é o resultado do surgimento de novas tecnologias, como o processamento de dados, a robótica, as telecomunicações e as demais tecnologias que aos poucos vão repondo máquinas nas atividades anteriormente realizadas por seres humanos. 

É o que sempre falo em minhas palestras, a tecnologia está acabando com vagas e levando profissionais ao estresse de estarem disponíveis 24 horas por dia, fins de semana e feriados. Agora ,cabe a nós dentro dessa sociedade baseada na informação, valorizar nosso conhecimento e transformá-lo em algo que nos perpetue como população ativa, mesmo aos 70 anos. Prepare o terreno desde já e comece a traçar seu plano B. 

A vida não segue roteiros, mas para quem se planeja a rota seguirá seu curso desejado. Pode não ser exatamente do jeito que você idealizou, no entanto, não o deixará refém do destino. Lembre-se que se você não conduzir o barco da sua vida, ele vai fazê-lo por você.

4 Comentários

  1. Jorge Carvalho - 19 de janeiro de 2010 @ 9:02 am

    Ótimo post Julio! Uma pergunta pra vc. Será que esse fim do emprego não significa o fim do emprego em organizações? Nunca foi tão fácil ter uma carreira solo.

  2. Julio Sergio Cardozo - 19 de janeiro de 2010 @ 9:19 am

    Jorge, nossas observações colhidas durante as clínicas de preparação para o pós-carreira e sessões de “counseling” para CEOs indicam notável transformação do mercado de trabalho, da empregabilidade em si. É avassaladora a quantidade de empresas que preferem contratar empregados como Pessoa Jurídica em vez do regime da CLT. A carteira de trabalho não desapareceu para a maioria, mas se confirmada a tendência ela será peça de museu da história contemporânea para chefes, gerentes, supervisores e diretores. Outra tendência que capturamos é o crescente desejo de empreender, principalmente quando o indivíduo se aproxima dos 50 anos. Você tem toda razão, hoje em dia é muito mais fácil empreender, e o brasileiro é um empreendedor nato. A história do capitalismo brasileiro confirma esta assertiva. Pergunto aos leitores: você já pensou em demitir a sua empresa? A carreira solo possibilita esse momento de júbilo. Que tal?

  3. Jorge Carvalho - 19 de janeiro de 2010 @ 5:32 pm

    Nessa história toda tem a questão dos tributos trabalhistas, né?. É cada vez mais custoso contratar com carteira.

  4. Andrea Giardino - 19 de janeiro de 2010 @ 7:29 pm

    Mas curiosamente Jorge, na área de TI as empresas estão transformando os PJs e CLTs. O preço disso? Optam por contratar na base da pirâmide com o discurso de formar talentos, quando na verdade querem evitar os altos salários.

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Perfil

Prof. Livre-docente Julio Sergio Cardozo

Consultor em gestão de negócios, conferencista, autor de livros e artigos e professor livre-docente em controladoria e finanças.

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O Melhor Vem depois. Desvendando o Enigma da Longevidade.
Longevidade é viver bem por muitos anos. Andrea Giardino & Julio Sergio Cardozo

 

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